Carnaval do Rio de Janeiro 2012

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Manifesto do Carnaval de Rua Carioca

A retomada do carnaval de rua do Rio de Janeiro é um processo histórico e singular. Alguns se lembram das pequenas aglomerações que começaram a ressurgir no final do século passado, em diversos lugares da cidade, relembrando marchinhas, apresentando a própria noção de carnaval para uma nova geração. Esse momento foi mais que a retomada do carnaval, ele foi o momento da retomada da rua, de uma rua que andava há muito esquecida. Sem nenhum esforço do poder público, sem o patrocínio de uma marca de cerveja, sem qualquer cobertura da tv, espontânea e coletivamente a multidão tomou à força o que já lhe pertencia: nosso espaço comum.

Nos últimos anos, o crescimento exponencial do número de blocos e de foliões traz uma série de dúvidas em relação ao nosso carnaval. Primeiro, porque certos blocos começaram a ficar superlotados, impedindo algumas pessoas de se divertirem. Segundo, porque o Estado e o mercado perceberam o que lhes era óbvio: um precisa controlar a multidão que toma as ruas e o outro precisa usá-la para ganhar dinheiro, através do choque de ordem e da publicidade abusiva que invade nossas ruas.

Temos pela frente um desafio histórico de lidar com esse dilema entre o crescimento e a espontaneidade sem qualquer tipo de nostalgia ou de elitismo. Criar nossas táticas é manter o carnaval vivo. E isso não significa recusar as massas, mas transformá-las em agente que toma as ruas de maneira múltipla e criativa.

Já há sinais dessa criatividade infinita que se esparrama pelas esquinas da cidade. Em 2006, um grupo de foliões acordou cedo para pular o carnaval e se viu enganado: o bloco em que iam tinha mudado de horário propositadamente para que menos pessoas o acompanhassem. Em vez de voltarem pra casa, eles criaram outro bloco, ali, na mesma hora. Chegou um bumbo, chegou um trompete. A festa começou e dura até hoje. A cidade estava aberta e foi ocupada. Essa experiência é a faísca.

Devemos ser agentes, criando novos caminhos que se bifurcam, inventando o que não foi inventado, criando novas identidades e negando as imposições arbitrárias ou as tentativas de privatização do espaço público. Devemos ficar na rua o tempo todo, livres, cantando e dançando, sem parar. Para isso, é preciso ocupar áreas esvaziadas e subutilizadas durante o carnaval e também recusar o modelo empresarial da Prefeitura, apoiado por associações e blocos dependentes do poder público e do seu projeto de mercantilização da folia. A maior festa carioca deve ser livre, independente e realizada com a disposição dos foliões, pois somos um grupo de pessoas cantando e dançando a felicidade nas ruas.

O carnaval é e sempre será um ato político. É a incorporação da arte no cotidiano. Lutar para preservar sua potência é lutar por uma rua que nos é sempre tirada. Avancemos foliões! Viva o carnaval, viva o Zé Pereira e o Saci Pererê. Viva o sorriso doce dos que desobedecem. Em tempos de tanques nas ruas, não retrocedamos, com a certeza de que um dia o exército de palhaços vencerá!

Desliga dos Blocos do Rio de Janeiro, 2012.


Escolas de Samba

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Blocos de Rua
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