Roteiro de uma semana em Armação dos Búzios

De WikiRio
Ir para: navegação, pesquisa
Não tire nada além de fotos e não deixe nada além de pegadas. O planeta Terra é a nossa única casa, ajude-nos a preservar. Quando vires lixo dispensado inadequadamente no meio ambiente, por favor recolha-o, não custa nada. Mude o seu padrão de consumo, evite combustíveis fósseis, recicle e reutilize.

—Marcos Barreto Valeiko e família

Búzios.

Prólogo.

Reunidos na cozinha da nossa casa, mal tocávamos na comida. Um grande mapa de Búzios, comprado na viagem de Réveillon 2011, tomava a maior parte da mesa de jantar. Animados, discutíamos o nosso primeiro projeto de "aventura". Não fazia muito tempo que havíamos decidido mudar o nosso estilo de vida: abraçaríamos a causa do meio ambiente, documentando as belezas naturais dos nossos destinos. O projeto não era tão simples, concordamos que consumiria toda ou a maior parte do ano e envolveria inúmeras investidas. As condições climáticas deveriam ser sempre as melhores possíveis, afinal de contas tratava-se da memória da nossa família. O inverno seria o período mais proveitoso: pouca chuva, grande visibilidade no mar, baixo índice de visitação. Tudo isso, aliado à uma temperatura amena, viabilizaria a maior parte das caminhadas. Assim meus amigos, foi criada a nossa primeira grande expedição: o "tour completo de Búzios", lugar onde iniciei a vida profissional, lugar de nascimento do meu único filho.

Preparando as mochilas.

Parece simples, mas a falta de um único item nas mochilas de ataque, pode fazer a diferença entre um passeio maravilhoso e um passeio tenebroso. Essa lição foi muito bem aprendida na trilha das Emerências, quando deixamos de levar o repelente. Naquela ocasião, fomos salvos por dois amantes do voo de asa delta que, prontos para saltar da rampa lançamento, nos presentearam com o "bem precioso de qualquer trilha", vulgo repelente. Toda mochila de ataque deve conter além do próprio repelente, filtro solar, boné ou óculos escuros, água, sucos naturais ou isotônicos, barras de cereais, castanhas em geral e chocolates, toalha, saco plástico para lixo, máquina fotográfica, filmadora e celular, sunga ou roupa de neoprene, dependendo do destino. As roupas de caminhada devem ser leves. Nunca caminhe de chinelo. Um bom par de tênis é o ideal. Além disso, sempre usamos cajados e como somos entusiastas, possuímos uma bússola e mapas do local. Dividimos os itens entre os três, tamanho mínimo da tropa. Nosso lema é: "não deixaremos nada além de pegadas, não tiraremos nada além de fotos."

Geribá e a ponta do marisco. Primeiro dia.

Todos os vídeos do tour completo de Búzios estão aqui:: http://www.youtube.com/user/mbvrio
Praia de Geribá, fotografada do mirante da ponta do marisco.

Sábado, 5 horas da manhã. O despertador toca desnecessariamente. Já estávamos acordados. Waffles, mel, pão, manteiga, queijo, presunto, suco, fruta e estrada! Partindo do Rio, alcançamos Búzios em cerca de três horas. -" E, e......, e....., entramos em Búzios, bradava Pedro, ao passarmos pelo posto "Até que enfim Búzios". Olhando disfarçadamente pelo espelho retrovisor, pude reconhecer a alegria autêntica no rosto de uma criança e notei como é simples reviver a infância. Chegamos!

A inconfundível Geribá, com suas areias finas e avermelhadas é praia para todo gosto. Ela está voltada para a face oceânica da península, em direção ao sul. Por este motivo recebe boas ondulações e suas águas são frias. O seu canto direito é um dos três picos de surf do município. À esquerda, possui águas mais abrigadas, cheia de famílias e crianças. Poucos sabem que geribá é uma palmeira litorânea alta e imponente, mas eu lhes digo: Geribá também é praia. Praia linda, com quase dois mil metros de extensão, lugar de gente bonita. Lugar abençoado. Lugar de pegar "jacaré". Dicas em Geribá: a moçada prefere o trecho da praia em frente ao Fishbone. Ali bem próximo, estão também as melhores ondas. Para lanchar, recomendamos os quibes e as esfirras do Habib. Nosso amigo e antigo morador da aldeia de Geribá, é visto com frequência vendendo os seus produtos. É muito fácil reconhecê-lo: ele leva uma cesta e está sempre vestido de árabe.

A ponta do marisco é o nome da formação rochosa localizada no canto direito de Geribá. Lá em cima existe um mirante que proporciona a mais bela vista da praia. Para ter acesso ao mirante, siga pela Rua Gravatás até o final. Em seguida, vire à direita na Rua Casuarina. Logo ao virar, você verá uma cancela de um condomínio à sua esquerda. Identifique-se e peça ao segurança para ir até o mirante.

Ferradurinha e Amores da Ferradurinha. Segundo dia.

Praia da Ferradurinha e seus rochedos laminados, à direita.

Amanhece o segundo dia em Armação dos Búzios. O céu azul e uma leve brisa nos acompanham até a padaria. Pão quente à mesa, entreolhares animados, hoje seguiremos pela face oceânica, em direção ao extremo da península.

A praia da Ferradurinha, abrigada em uma enseada homônima, mais parece uma piscina. Não é à toa que já foi eleita por mais de uma vez, uma das dez praias mais bonitas do Brasil. Foi ali, no verão de 2010 que decidi me dedicar não só à natação mas também ao mergulho livre, quando me deparei durante uma travessia, com dezenas de tartarugas marinhas em um cenário inacreditável. A sua faixa de areia tem um pouco mais de noventa metros de extensão e possui poucas ondulações. Entre uma água de coco e um bate-papo, o visitante pode subir nos rochedos situados à direita da praia. Dali pode-se ver o alto-mar e as ondas colidindo nas pedras. Os mais corajosos arriscam um salto de aproximadamente 5 metros.

Praia dos Amores da Ferradurinha, paraíso do snorkel.

Nesse cenário de águas calmas, pratica-se com frequência o nado livre. Basta uma travessia de aproximadamente 200 metros, para então encontrarmos um paraíso. Na primeira vez que pisei na praia dos Amores da Ferradurinha, tive a certeza que as nossas escolhas de vida estavam certas e o quão é necessário o respeito pelo meio ambiente. É para mim, um dos lugares mais perfeitos para a prática do snorkel em todo o Rio de Janeiro. Com uma profundidade de até 2 metros, ainda é pouco visitada devido à dificuldade de acesso. Flutuando e observando os belíssimos corais, inúmeras espécies de peixes se colocam em baixo de você. É incrível. As tartarugas desfilam alimentando-se de algas e as lesmas d'água evoluem em seu ritmo. A praia dos Amores da Ferradurinha está situada bem em frente à praia da Ferradurinha, no extremo oposto da enseada. A sua faixa de areia tem cerca de quinze metros. Ela pode ser alcançada a nado ou a remo.

Brava e Olho de Boi. Terceiro dia.

Praia Brava, fotografada da trilha da praia do Olho de Boi.

Os primeiros raios de sol ultrapassam as frestas da janela do nosso quarto. As sete horas da manhã, o despertador se faz notar. Era o alvorecer do terceiro dia. Cansados, concordamos em tirar mais um cochilo. O relógio já marcava nove horas, quando começamos o desjejum. A sequência natural da expedição seguiria pela face oceânica da península e nos levaria à Ferradura e ao Forno. Mas, como era uma segunda-feira, decidimos fazer uma alteração nos planos: aproveitaríamos este dia de "baixa" visitação, para conhecermos a praia Brava e pelo menos, nos aproximarmos o máximo possível da praia de naturismo Olho de Boi.

Seguindo de carro pela estrada da Usina Velha, viramos à direita no posto situado próximo à entrada da Praça Santos Dumont. Este é o mesmo caminho para quem se dirige à praia do Forno e da Foca e possui placas indicativas. A praia Brava está situada em uma grande enseada e possui uma faixa de areia de aproximadamente 450 metros de extensão. O seu canto esquerdo é um dos três picos de surf do município. Parte desta área é protegida pelo INEA e aqui não são permitidos quiosques. Este ambiente cercado por vegetação nativa parcialmente preservada, contrasta com a infra-estrutura de Geribá, onde as pousadas estão quase na faixa de areia. A praia é dividida por uma formação rochosa nitidamente vulcânica, onde pode-se distinguir veios de lava solidificada. Sugerimos que o visitante atravesse essa formação, pois é no canto direito que estão os maiores atrativos da Brava. O primeiro é um excelente ponto de snorkel. Ao longo de um grande paredão, há muito o que observar da fauna e da flora marinha. Foi aqui que encontrei o maior número de estrelas do mar, em um único mergulho. A cautela a ser tomada é com as ondas. Prefira um dia de mar calmo. O segundo atrativo é o início da trilha do Olho de Boi.

Praia de naturismo Olho de Boi, vista do alto da trilha.

A trilha da praia de naturismo Olho de Boi é identificada como um pequeno caminho de terra, que leva o visitante pelo costão direito da enseada da Brava. É uma trilha pesada, marcada por uma moderada subida na ida e uma íngreme subida na volta. Não é recomendada para indivíduos com baixa aptidão cardiovascular e respiratória. Neste caso, se houver interesse, a praia pode ser acessada através de táxi-barco. Por se tratar de uma praia de naturismo, é recomendado ao visitante que tire a roupa logo na entrada, embora este ato não seja obrigatório. A praia em si é muito bonita, com uma pequena faixa de areia e águas claras. A vista do alto da trilha é uma das minhas preferidas.

Azeda e Azedinha. Quarto dia.

No quarto dia de expedição, contornamos a península em direção às praias voltadas para o norte. Estas praias são abrigadas, possuem águas mais quentes e pouca ou nenhuma ondulação. À noite, pode-se ver as luzes de Barra de São João no horizonte.

A praia da Azeda, com suas águas claras e abrigadas.

Existem três áreas de proteção ambiental (APA) instituídas em Búzios. Azeda e Azedinha, Tartaruga e Pau Brasil. A primeira é a menor das três. Para acessá-la, basta o visitante caminhar até o canto direito da praia dos Ossos e subir uma ladeira de paralelepípedos, ali localizada. A subida é leve e acessível à maior parte das pessoas. Há inúmeros avisos que identificam o início da APA e pedem a ajuda na sua conservação. A partir daí o caminho é de terra batida, levando a tropa até o alto de uma escadaria, de onde já se tem uma excelente visão de ambas as praias.

A praia da Azeda é a primeira e a maior, com uma faixa de areia de aproximadamente 95 metros. Nela, existem duas ou três casas antigas e nada mais. Um mar calmo e quase transparente é diversão para toda a família, inclusive para quem tem filhos pequenos.

A praia da Azedinha e a sua piscina natural.

A praia da Azedinha vem logo depois, tem cerca de 35 metros de extensão e possui como principal atrativo uma piscina natural, muito badalada. A partir do seu canto direito tem início uma formação rochosa que dá acesso à praia de João Fernandes. Estas rochas abrigam inúmeras espécies de peixes e assim constituem mais um ponto de observação da fauna marinha. Eu, particularmente, não tenho muita experiência no local. A principal recomendação para aqueles que desejam caminhar da Azedinha até João Fernandes pelas rochas é que o faça com cuidado e devidamente calçado.

Ferradura. Quinto dia.

Era o quinto dia da nossa expedição e não poderíamos deixar de conhecer a famosa praia da Ferradura. Mais uma vez retornaríamos às águas frias oceânicas e assim tratamos de colocar as roupas de neoprene em nossas mochilas. Todos no carro, caminho da "roça". Já sabíamos que naquele dia não iríamos somente à praia, era comum demais. Queríamos um outro tipo de lembrança e sob a nossa ótica, existiam duas: logo que chegamos, estacionamos no canto esquerdo da enseada e alugamos dois caiaques, um para duas pessoas e um monoposto. Coletes salva-vidas vestidos, iniciamos a travessia de um pouco mais de 700 metros. A ferradura faz jus ao seu nome. O dia era de mar moderado e lá no meio, em águas profundas, na "boca" da baía, as ondulações elevavam os caiaques bem alto. O moleque chegou a ficar meio pálido. "Adrenalina pediátrica". Passamos por diversos cardumes, muitos deles de tainhas, além de um grupo de entusiastas, atravessando a ferradura "no braço". Senti vontade de pular do caiaque e seguir com eles, uma vez que muitos dos meus planos de travessias são frustrados pela falta de companhia. Remada de ida e remada de volta: mais de 1400 metros. Retornamos ao canto esquerdo. Batemos um papo com os nossos amigos e percorremos a faixa de areia até a outra extremidade da praia. Agora iríamos fazer a trilha do "costão", cuja referência de início é a elegante pousada Unicórnio. Seguimos em frente e com menos de 15 minutos de caminhada nos deparamos com uma vista fantástica do oceano e das três ilhas "satélites" de Búzios. A minha preferida é a ilha filhote, em destaque no vídeo abaixo. Sem dúvida um grande aventura, tendo a praia apenas como pano de fundo. Nesse dia, eu não levei o meu celular, com os quais tiro as minhas fotos, mas fizemos um filme que dá uma ideia aproximada da beleza do local. Assista este vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=KdZFMCZ5dPc&list=PL4EF1E9294379D0BE&index=6 . Ele também contém imagens da praia Rasa e da praia dos Ossos.

Rampa de lançamento do pico das Emerências. Sexto dia.

A famosa península, vista do pico das Emerências.

É isso mesmo O município também possui um ponto mais alto, localizado fora da península. É o pico das Emerências, onde há uma rampa de lançamento de asas delta, lugar de onde se avista Búzios de uma forma completamente diferente. Lugar de onde se avista, pasme, Arraial do Cabo. Não acredita? Então faça o seguinte: siga pela Avenida José Bento Ribeiro Dantas e ao alcançar o pórtico, vire à esquerda, no sentido Cabo Frio. Passe pelo Hospital e por uma grande praça. Um pouco mais a frente você vai encontrar algumas lombadas e um pardal eletrônico. Este pardal marca a entrada do bairro de José Gonçalves. Saia da estrada e entre no bairro (à esquerda de quem vai de Búzios para Cabo Frio). Então é só ir perguntando onde fica o início da trilha das Emerências. Trata-se de uma subida moderada, de aproximadamente 40 minutos, mais eu lhes digo: vale a pena cada gota de suor. Só não esqueça o repelente.

Do pico das Emerências, avistamos Cabo Frio.

A foto à direita mostra o quão longe a vista alcança neste maravilhoso local. A área verde, mais densa é a maior das APAs de Búzios, a Pau Brasil. A faixa de areia bem branca é o Peró. As cidades avistadas são Cabo Frio em primeiro plano e Arraial, ao fundo. Inimaginável. O único lugar semelhante na região é o antigo farol, situado na ilha de Cabo Frio ou do Farol, em Arraial do Cabo. Em breve estaremos lá.

Hora das compras e da despedida. Sétimo dia.

Ir a Búzios e não passear pelo Centro é inconcebível. Neste último dia, o dia derradeiro, finalmente compraríamos as nossas lembranças e almoçaríamos em um bom restaurante. Assim foi feito, cansados de nossas aventuras, acordamos bem tarde. Fomos direto à Rua das Pedras, para relembrarmos as nossas vidas, afinal de contas foi ali que desconfiei que a minha esposa estava grávida há 12 anos atrás, quando ela me pediu para comprar sorvete de cereja. Almoçamos no restaurante do David, o mais tradicional da cidade. Belos camarões com batatas coradas. Antes de saborearmos o prato, fomos até o aquário do estabelecimento para contemplar as lagostas, ainda vivas. A sobremesa como sempre, foi sorvete. Aliás, um sorvete de chocolate suíço em frente ao shopping número 1 é obrigatório. Para fazermos uma boa digestão, nada como uma caminhada pela Orla Bardot. A francesa era apaixonada por este lugar.

Acreditamos que a vida é um investimento e o planeta Terra é finito. Certamente o acaso não existe. Explico aos leitores deste artigo que nem todas as praias e lugares de Búzios foram mencionados, o que não significa que eles também não sejam especiais. Deixamos aqui uma sugestão de roteiro, o qual vivenciamos tão intensamente, que moídos, não saíamos á noite. Assista o vídeo da Orla Bardot aqui: http://www.youtube.com/watch?v=goRfbRpSzh0&list=PL4EF1E9294379D0BE&index=4 . Agradecemos a vossa visita.

É absolutamente necessário que nós, geradores de opinião, passemos de um estágio de observadores para um estágio prático. Peço que salvemos o planeta Terra, começando pelos locais nos quais vivemos e visitamos. Boa viagem! São os votos de...

—Marcos Barreto Valeiko e família

"As fotos aqui publicadas fazem parte do meu acervo pessoal. Elas servem para divulgar a beleza do planeta Terra."