Passeata dos 100 mil

De WikiRio

Em 26 de junho de 1968, aproximadamente cem mil pessoas ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro para realizaram o mais importante protesto contra a ditadura militar até então. A manifestação teve início a partir de um ato político na Cinelândia e tinha como objetivo pressionar o governo frente aos problemas estudantis. Participaram também intelectuais, artistas, padres e grande número de mães, expressando o crescente descontentamento com o governo.

A partir de 1967 o movimento estudantil tornou-se a principal forma de oposição ao regime militar. No início de 1968 várias manifestações foram reprimidas com violência. O movimento estudantil manifestou-se não apenas contra a ditadura, mas também contra a política educacional do país, que tinha viés privatizador. A política de privatização se manifestava de duas formas: Através do estabelecimento do ensino pago (principalmente no nível superior) e também da indução da formação educacional dos jovens para o atendimento das necessidades do mercado, criando mão de obra especializada. Essas expectativas correspondiam a forte influência norte-americana exercida através de técnicos da USAID que atuavam junto ao MEC por solicitação do governo brasileiro, gerando uma série de acordos que deveriam orientar a política educacional brasileira. As manifestações estudantis foram os mais expressivos meios de protesto contra o alinhamento brasileiro aos conceitos norte-americanos.

Prisões e arbitrariedade eram as marcas da ação do governo em relação aos protestos dos estudantes, e essa repressão atingiu seu apogeu no final de março com a invasão do restaurante universitário "calabouço", onde Edson Luís Lima Souto, de 18 anos, foi baleado e morto pela polícia. O fato comoveu todo o país e serviu para fortalecer a luta pelas liberdades. Ocorreram confrontos com policiais em várias partes do Rio de Janeiro durante o velório do estudante. O cortejo fúnebre foi acompanhado por 50 mil pessoas e, nos dias seguintes, ocorreram manifestações no centro da cidade, com repressão crescente até que, em 2 de abril, soldados a cavalo investiam contra estudantes, padres, repórteres e populares na missa da Candelária

Nos outros estados o movimento estudantil também ampliou seu nível de organização e mobilização e durante todo o ano de 1968 ocorreram manifestações estudantis, resultando em aumento da repressão até a promulgado no dia 13 de dezembro de 1968 do AI-5 (Ato Institucional nº 5). Em fevereiro do ano seguinte foi baixado um decreto-lei que proibiu definitivamente toda e qualquer manifestação política dentro das universidades do país desarticulado o movimento estudantil.

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